Doações

“Você nunca terá uma segunda chance para causa uma boa primeira impressão”. É um dito popular que pode ser definido como o paradigma principal do mundo dos negócios da última década.

Toda empresa tem em seu estatuto, frases como “produzir com a maior qualidade possível”, “satisfazer nossos clientes” ou “elaborar produtos inovadores que encantem nossos consumidores”.

As empresas tentam causar uma primeira boa impressão ao fazer produtos com qualidade, tratar o cliente como um rei, com o objetivo de torná-los leais à marca e fidelizá-los.

O problema desse paradigma é que você só causa uma boa impressão se, e somente se, o cliente decidir fazer a sua primeira compra.

A resposta para estas questões é o marketing social, ele será cada vez mais discutido em Fóruns Econômicos Mundiais, não só pela sua importância social, mas pela sua eficácia. Um projeto social discreto e bem elaborado será tão importante para a imagem das empresas, quanto a qualidade das marcas produzidas. Para isso, no entanto, é necessário que a empresa defina a causa social que irá abraçar e ficar conhecida por ela.

Em vez de manter uma política de doações ao acaso, seria melhor abraçar uma causa social e se tornar conhecido como o mantenedor dela. Se estes esforços estiverem concentrados em um problema ou necessidade, a sua empresa vai transmitir uma primeira boa impressão a todos.

As primeiras empresas a investir em projetos sociais serão as primeiras a abraçar as causas de maior impacto, as “melhores causas”. Os retardatários na filantropia estratégica ficarão com as causas de menor impacto ou terão a necessidade de pesquisar constantemente para descobrir novas causas ou necessidades que irão aparecer com o tempo.

Causar uma primeira boa impressão deveria ser a primeira preocupação no planejamento estratégico de uma empresa. Muitas campanhas publicitárias são no fundo, tentativas criadas para induzir o consumidor em potencial a realizar a sua primeira compra.

Ao oferecerem descontos, garantia de satisfação ou o dinheiro de volta, estarão induzindo a primeira compra, sem ter causado uma primeira boa impressão no cliente. Os profissionais de marketing estão enclausurados na idéia de que a primeira impressão tem que estar relacionada ao produto. A pergunta provocativa que coloco é se realmente este é o único caminho, e se é a maneira mais barata de chegar a este objetivo.

Um projeto social coloca a marca na sua empresa, não nos produtos, e define a sua companhia como uma organização séria, um cidadão corporativo, uma empresa com conteúdo, com integridade. Nessa era, devido ao culto à individualidade, empresas serão vistas e julgadas pelos mesmos padrões que costumamos julgar indivíduos. Não pelo que você faz, mas pelo que você é.

Assim, a grande questão que qualquer membro do conselho executivo deve fazer é “A nossa empresa causou uma primeira boa impressão em consumidores potenciais suficientes para garantir crescimento?”. “Nós causamos
uma primeira boa impressão em cada universitário, futuros acionistas e governantes oficiais?”

Stephen Kanitz
stephen@kanitz.com.br

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